9 de abr. de 2019

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 7 - Espírito Santo e Maria


Espírito Santo e Maria


legiondemaria.org
Gostaria de meditar com vocês alguns momentos da vida de Maria.


A Encarnação. Não há dúvida de que a vida da Santíssima Virgem estava, desde seu início, sob a forte influência do Espírito de Deus. A Virgem é a “Toda santa” porque desde o primeiro momento de sua existência foi “sacrário do Espírito Santo”.
Mas seu grande encontro com o Espírito foi a Anunciação do anjo que culminou com a encarnação. Ali Maria teve seu primeiro Pentecostes: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a Força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Luc. 1, 35). A partir desse acontecimento, Ela é chamada sacrário, tabernáculo, santuário do Espírito. Com isso indica-se a morada do Espírito Santo em Maria de um modo singular e superior ao dos demais cristãos. Como em todo ser humano, o Espírito de santidade quer atuar na Virgem e através d’Ela. Mas aqui há algo mais, algo novo e único: o Espírito Santo quer atuar junto com a Virgem. E para que? Quer unir-se e atar-se a Maria para que d’Ela nasça Jesus Cristo, o Filho de Deus. E quer que a Santíssima. Virgem diga seu Sim totalmente voluntário e livre, para entregar-se ao Espírito de Deus, para converter-se na Mãe de Deus.

Seu crescer na ordem do Espírito. Não devemos pensar que a Virgem entendeu tudo desde o primeiro momento. Evidentemente compreendeu muito mais que nós. Porque tinha, como diz Santo Tomás de Aquino, a luz profética que lhe brindou um conhecimento maior das coisas de Deus. 

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Entretanto, como ser humano, Ela crescia em sabedoria e desenvolvia seu entendimento ao longo de sua vida. Por isso diz o Padre Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, que Maria ia aprofundando-se na ordem do Espírito. E que significa isso? Maria tinha que ir compreendendo, passo a passo, o que queria Jesus e o que devia Ela fazer a seu lado. Tinha que entrar progressivamente nesse mundo de seu Filho Divino, no qual só o Espírito Santo poderia introduzir-la. 
Em diálogo com o Espírito de Deus, tinha que percorrer seu próprio caminho de fé. Pensemos na perda de Jesus, ao completar doze anos. Que difícil foi para Ela quando seu Filho os abandonou e depois lhes disse:

“¿Não sabíeis que ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Luc, 2, 49). Como agrega o texto, Maria não entendeu o que Jesus acabava de dizer-lhes. Mas seguramente percebeu que seu Filho levava em seu interior outro mundo, o mundo do Pai, no qual também Ela tinha que adentrar-se de um modo mais perfeito.
Outro momento difícil surgiu nas bodas de Caná. “Mulher, isso nos compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo. 2.4). A maneira de pensar de Maria é ainda muito humana: quer ajudar aos noivos em sua necessidade. Jesus olha mais longe, pensa em sua grande Hora, a hora da Cruz. E, mesmo assim, cumpre o desejo de sua Mãe.
E quando chegou a grande Hora, sobre o monte Calvário, terminam n’Ela os desejos e necessidades naturais. Tudo fica sujeito à vontade do Pai. Já não quer outra coisa que cumprir perfeitamente com seu papel no plano de salvação.
O auge do adentrar-se na ordem do Espírito foi a espera de Pentecostes. Ali Maria se converteu em instrumento perfeito do Espírito Santo. Conduziu aos apóstolos e discípulos à sala do Cenáculo. Transmitiu-lhes seu desejo profundo pelo Espírito Divino. E implorou com eles a força do alto sobre toda a Igreja reunida. Em Pentecostes transbordou sua ânsia pelo Espírito de Deus. Ali ficou completamente compenetrada e transformada por Ele. Em sua vida teve um corpo espiritualizado, é dizer, transformado pelo Espírito, de modo que não podia ser destruído. E assim ficou preparada para seu último e definitivo passo: A assunção em corpo e alma ao céu.

Creio que também em nossa própria vida devemos introduzir-nos paulatinamente na ordem do Espírito. 

Perguntas para a reflexão
1.  Como cultivo minha relação com o Espírito Santo?
2. Sentimos como o Espírito Santo nos capta e introduz no mundo de Deus?

3. É a Virgem minha companheira na oração?


Reflexões Pe. Nicolas S.

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 6 Maria, símbolo do Espírito Santo

 Maria, símbolo do Espírito Santo.


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Os Atos dos Apóstolos nos contam que São Paulo encontrou em Atenas um altar onde estava gravada a seguinte inscrição: ao Deus desconhecido. Este título parece valer de modo especial para o Espírito Santo que é para muitos cristãos o Deus desconhecido.

Quem é o Espírito Santo? É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é o laço vivo de amor que une o Pai com o Filho: é amor tão infinitamente profundo e perfeito, que constitui uma nova Pessoa, igual a eles. O Espírito Santo é o mais íntimo de Deus, a personificação de seu amor, de sua vida, de sua força. É como a alma comum do Pai e do Filho. É como o coração do Deus Trino.

Porque é então tão desconhecido? Em primeiro lugar porque para descobrir sua presença e sua ação se necessita uma aproximação muito íntima e pessoal com Deus. Porque Ele se faz presente e atua de uma forma discreta e oculta difícil de perceber por olhos não acostumados.

Também influi o fato de não podermos representá-lo por uma figura adequada. Pois os símbolos com que aparece na Bíblia a pomba, o vento e o fogo nos ocultam sua riqueza de pessoa. Deus Pai também é invisível, mas a palavra “pai” já se aproxima muito de nossa experiência humana. Já, imaginar um “espírito” torna-se muito mais difícil.

Entretanto, Deus nos presenteou a alguém em quem podemos quase palpar, de modo visível e sensível, a presença e a ação do Espírito Santo: é a Santíssima Virgem Maria. Ela é este símbolo mais significativo, o mais pessoal, mais apropriado e mais belo do Espírito Santo. Por quê?

Porque o Espírito Santo é o amor feito pessoa, a entrega personificada e Maria é o amor, a entrega em pessoa.




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A Santíssima Virgem é, em efeito, a mulher três vezes cheia do Espírito de Deus:

  1. No momento de sua Concepção imaculada, quando Ele a escolheu como templo predileto e a encheu de sua graça, evitando que a menor mancha de pecado a tocara.
2. No momento da Anunciação, quando “a cobriu com sua sombra”, para fazê-la fecunda e converte-la em Mãe de Cristo.

3. E no momento de Pentecostes, quando Ele escuta sua oração e descende sobre Ela e os apóstolos, tornando-a Mãe da Igreja que nesse mesmo instante nasce de sua força vivificadora.

Mas a Virgem nos conduz ao Espírito Santo não só através de seu ser, mas também por sua missão. Porque a missão Dela e a do Espírito vão na mesma linha. 

+ Maria é nossa Mãe-Educadora. E o Espírito Santo é o grande educador e santificador de cada cristão. Com suas graças e dons divinos nos vai amadurecendo e transformando em homens novos, reflexos de Cristo, ao longo de toda nossa vida. 

+ Maria, como autêntica Mãe, anima e alenta aos seus em cada momento. E o Espírito Santo é o grande vivificador que renova e inspira permanentemente aos homens e as comunidades. 

+ Como boa Mãe, a Virgem tem também a missão de unir e congregar sua Família a seu redor. E o Espírito Divino é o grande unificador, o vínculo de unidade da Igreja e das comunidades cristãs. 

Maria, obra do Espírito Santo. Ela, durante toda sua vida terrena, está totalmente sob a influência e a condução do Espírito Divino. Por isso podemos admirar em Maria todas as virtudes e valores cristãos que nosso grande Educador quer nos transmitir e inculcar. Ela é o ensinamento intuitivo que Deus nos regala, para nos entregar com confiança nas mãos criadoras do Espírito Santo.

Perguntas para a reflexão

1. O que representa a Virgem Maria para mim?
2. Sou uma pessoa que une os demais?
3. Educo em minha família, no trabalho…?

Reflexões Pe. Nicolas S.

5 de dez. de 2018

Confissão, Sacramento do Amor e Alegria

Neste tempo de Advento, devemos renovar nossa conversão: mudar nossa vida, retornar a Deus. E a melhor expressão dessa atitude é a confissão sacramental. Quero convidar vocês a refletir, por um momento, sobre o sacramento da confissão, a reconciliação.


Todos conhecemos a palavra de Jesus: “Eu lhes digo que haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrependa do que por noventa e nove pessoas respeitáveis ​​que não precisam se arrepender” (Lc 15, 7). Portanto, a confissão é o sacramento que produz a maior alegria no céu, porque se alegra mais por um pecador que confessa do que por apenas 99 que pensam que são dispensados ​​dele. Mas, infelizmente, o mesmo não acontece na terra: poucos gostam de se confessar; poucos se alegram com isso.

No tempo de Cristo, as coisas eram totalmente diferentes. Lembremo-nos de que o perdão acabaria no Evangelho, muitas vezes, em um banquete: Zaqueu, surpreendido em uma árvore, prepara, cheio de alegria, uma festa. Mateus, o publicano, fecha seu escritório de impostos, convida seus colegas e celebra com um banquete. O pai do filho pródigo mata o bezerro cevado para celebrar o retorno de seu filho.

Graças a Jesus, todas as falhas se tornariam abençoadas por causa do amor com o qual Ele sabia perdoá-las. Era necessário ser Deus para perdoar desse modo, para que a falta cometida causasse amor e felicidade.

Só Deus sabe como tornar seu perdão uma lembrança luminosa. Ele é tão feliz em perdoar que os pecadores não se sentem mais perturbados, mas felizes, compreendidos, úteis.

Jesus veio a este mundo apenas para curar e salvar os pecadores. Ele dedicou todo o seu tempo a eles, sua energia e seu amor. Ele mesmo nos diz: “As pessoas que estão bem não precisam de um médico, mas apenas daqueles que estão doentes. Não vim chamar os justos, mas os pecadores.”(Mc 2, 17)

A mesma coisa acontece com uma criança: enquanto ele não esteve doente, ele ignora o quanto sua mãe o ama. Mas quando a criança está doente na cama, sua mãe tem a alegria de finalmente poder gastar seu amor em reserva.

Deus também é assim. Quando estamos doentes, quando sabemos e reconhecemos que somos pecadores, então Deus pode nos mostrar seu amor, sua alegria de cuidar de nós e nos curar.

Quando estamos com boa saúde, corremos tão rapidamente que Deus não pode nos alcançar. Mas quando entramos no confessionário um dia, Deus faz uso - finalmente - da ocasião adequada para nos explicar o quanto Ele nos ama.



Padre Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, disse muitas vezes em seus últimos anos de vida: todos temos dois títulos diante de Deus. Uma é a da MISERICORDIA de Deus com a qual podemos sempre contar.

O outro é o da POBREZA pessoal. Porque Deus não pode resistir à fraqueza de seus filhos, se eles conhecem e reconhecem isso. Ele não pode negar a si mesmo quando vê o homem afligido por sua pobreza.

Isto então é confissão: a descoberta de que Deus nos ama e que seu amor pode transformar toda a nossa existência. Assim, Ele nos revela um amor, uma vida, uma alegria muito superior aos nossos pecados e que nos permitem fazer sem eles.

É o que Deus nos diz quando nos confessamos: que Ele nos ama, que Ele nos perdoa, que Ele está feliz em nos absolver. Ele nos diz incansavelmente que continuamos sendo seus filhos muito amados e que, apesar de tudo, Ele continua colocando em nós sua satisfação e sua esperança.


O pecado original foi feito com orgulho: era rejeitar a Deus, querer fazer sem ele. A redenção é cumprida com humildade: sempre teremos que confessar, sempre teremos que aprender novamente a amar o Pai em seu perdão.

Mas então, pouco a pouco, parte desse amor começa a penetrar em nosso coração quando somos perdoados - um pouco desse afeto, um pouco dessa alegria. E assim começaremos a saber o quanto Deus nos ama e começaremos a experimentar um novo amor com o qual poderemos corresponder ao seu amor. Na medida em que somos perdoados e amados, nós mesmos aprenderemos a amar.

Queridos irmãos e irmãs, que isso seja - neste tempo do Advento - o sinal de nossa conversão definitiva, de nossa preparação interior para o Natal, para a vinda de Deus em nosso meio.

Pe. Nicolas S.

Perguntas para a reflexão

1. Quais são as desculpas que eu tenho para não confessar?
2. Quando foi minha última confissão?
3. Estou ciente de que Deus é um Pai Misericordioso?
4. Tenho um bom exame de consciência para preparar uma boa confissão?


Pe. Marcelo A.

4 de dez. de 2018

Caminhos Básicos do Crescimento Matrimonial
“Os 4R"





INTRODUÇÃO

Os ritos são necessários
Os ritos tem sido aplicado pela Igreja durante séculos nas múltiplas comunidades religiosas que surgiram ao longo da história. Cada comunidade, beneditinos, franciscanos, carmelitas, jesuítas, etc., formulou de maneira original o espírito e os ideais do Evangelho e gerou formas e ritos que o expressam e cultivam. Este processo continua até hoje nas novas comunidades e movimentos que nasceram especialmente no início do século XX até os dias de hoje.

Se alguém entrar em uma das comunidades tradicionais ou novas, sempre encontrará com ideais formulados, com um "carisma", que lhes dá uma personalidade e um rosto únicos. Essa espiritualidade ao mesmo tempo tem sido expressa em formas de vida, em rituais e costumes próprios e possibilita e concretiza a experiência do ideal no aqui e agora histórico.

Como movimento, queremos dar à Igreja um caminho de santidade matrimonial. O dom de Schoenstatt à Igreja é a pedagogia de uma nova espiritualidade. Para nós, como casais, é a nova espiritualidade matrimonial e familiar que Schoenstatt elaborou.

Nós não apenas oferecemos à Igreja um caminho em geral, mas um caminho concreto, com modos de vida. Em qualquer comunidade religiosa, encontramos um caminho concreto, com formas de vida. Muitas vezes essas comunidades não se distinguem tanto no espírito, mas nos modos de realizar o ideal de santidade. 

As formas de um beneditino são diferentes das de um franciscano ou do Opus Dei. Em Schoenstatt também as temos.
Coletando experiência, chegamos a certas formas que formulamos como caminhos básicos do crescimento matrimonial.

Quais são os meios básicos mínimos ou ritos comprovados já na vida, não inventados, para que um casal possa crescer em sua santidade matrimonial segundo Schoenstatt?

+ UM MOMENTO DIARIO       I R:    REZAR
+ UM MOMENTO SEMANAL  II R:   RE-ENCANTAR
+ UM MOMENTO MENSAL.   III R:  REVISAR
+ UM MOMENTO ANUAL.      IV R: RENOVAR 



Espírito e Forma
Mas antes de entrar nos detalhes desses 4 Rs, gostaria de me aprofundar no valor dos ritos ou formas que expressam um ideal ou carisma. É sobre a relação entre espírito e forma, algo essencial para entender bem a nossa espiritualidade de Schoenstatt.

O que é um rito?
É um hábito, é um modo de vida que expressa e garante um valor. Vamos supor que um costume normal em uma família é se reunir para o almoço no domingo. Pode ser que durante a semana eles não se encontrem com muita frequência, mas no Domingo eles se encontram na hora do almoço. Isso é um ritual. Acho que todos nós já tivemos a experiência de quão valiosos são esses ritos e, quando eles não são cultivados, algo tão importante quanto o espírito de família é perdido.

Um ritual é um costume que expressa e garante um espírito. Um rito é dado, por exemplo, quando um casal tem o costume de deixar um ou dois fins de semana durante o ano para estar entre eles, para se comunicar mais profundamente, para reviver a alma do seu amor de esposos.

Se não temos o hábito de regar regularmente as plantas do nosso jardim ou as que temos na sala do nosso departamento, as plantas ficam moles e acabam morrendo. Quando um relacionamento começa, logo os namorados estão criando costumes ou rituais que expressam seu amor e o fazem crescer. Se esses ritos são negligenciados, então o relacionamento começa a se deteriorar.

Rito com espírito e não formalismo
Os ritos são necessários, mas devem ser claramente distinguidos para diferenciar ritos autênticos de um ritualismo ou formalismo. Quando uma forma ou rito não expressa o espírito ou o valor que o gerou, o ritual se torna uma forma vazia, onde gestos e costumes não tem sentido e onde as formas contradizem o espírito que deve expressar.

Um rito cheio de significado e valor, renova e fortalece cada vez que o praticamos. Se temos o rito ou o hábito de rezar o rosário ou mesmo jogar cartas com nossos amigos em um determinado dia e em determinado horário, isso fortalece a amizade. Se pouco a pouco um ou outro deixa de participar deste rito, a amizade que existiu será enfraquecida e irá morrendo. A acentuação de ritos sem espírito, levando a um formalismo estéril, freqüentemente também degenera em hipocrisia.

Por outro lado, uma forma pode expressar um valor positivo, mas também pode expressar um espírito negativo. Por exemplo, o hábito, hoje muito comum, de atender o celular ou ver as mensagens na hora do almoço, quando sentadas à mesa ou com outras pessoas. Nesse caso, esse rito é inspirado por um espírito individualista, que gera isolamento pessoal do que temos conosco.

É muito importante, portanto, que cultivemos um mundo de valores e que eles capturem formas que os expressem e encorajem. Este "cultivo do espírito", dada a tendência negativa que nós arrastamos por causa do pecado original - e de nossos próprios pecados ou mediocridades - é muito importante. É necessário, portanto, cultivar o mundo dos valores que guiam nossas vidas, para que possam moldar formas que os expressem, estimulem e protejam.

Decisão e compromisso são obrigatórios
Os quatro Rs que vamos descrever agora com mais detalhes, deram muitos frutos ao longo dos anos. Eles são praticados no mundo de Schoenstatt e em muitos outros lugares onde a riqueza da família é cultivada. Vamos refletir agora em cada um desses 4Rs. Sem esquecer que, para que estes resultem, os cônjuges serão convidados a tomar sua decisão e compromisso. 

O casal e a família são a empresa mais importante que temos. Se os casais têm ritos, no sentido mais profundo e mais rico da palavra, isto é, um espírito seguro nos costumes, eles não serão arrastados pela corrente e não serão expostos ao luto e, às vezes, à ruptura. Hoje é necessário ter especial cuidado no cultivo da vida conjugal, cada casal corre o risco de se separar hoje: vemos e ouvimos todos os dias. É por isso que o chamado é nos levarmos a sério a nós mesmos e nos esforçarmos como convém às pessoas que desejam alcançar algo grandioso em suas vidas. Nada é de graça; tudo o que vale la pena custa esforço e renuncia. O objetivo é sermos felizes juntos até que a morte nos separe.






I. MOMENTO DIÁRIO: REZAR
Pertence a todo casal cristão orar juntos uma vez por dia ... orar como um casal. É diferente orar com as crianças. Não é sobre uma coisa para a outra. O sacramento do matrimônio constitui uma Igreja doméstica, na qual os ministros são os cônjuges e a coisa apropriada da igreja é orar. De tal modo que não seria coerente que um casal deixasse de elaborar um estilo de oração em comum.

A maioria pensa que cada um reza de maneira diferente, que o outro está cansado, que é tarde demais para rezar, que não há tempo, etc. Estas razões podem ser válidas, mas para muitas coisas, os casais tiveram que se acostumar e criar um estilo comum, formas, costumes, etc. Desde que acordam de manhã até adormecerem. Eles vieram estabelecer um “modus vivendi” como casal. Nós também temos que chegar a um “modus orandi” como casal.

Talvez muitos já tenham tentado desenvolver este modus, mas o que nos falta é a consequência e para isso temos que começar com algo muito simples. Às vezes definimos metas muito altas e isso não funciona para nós. Por isso, propomos começar a rezar um Pai nosso, uma Ave Maria, a Pequena Consagração, que nos leva no máximo três minutos. Ninguém pode dizer que ele não tem esses três minutos para rezar, impossível. Tudo o que é pedido é fazê-lo de maneira apropriada, dedicada, não quando estamos deitados ou quase dormindo. Fazemos isso no Santuário Lar, em um canto especial, de pé, ajoelhados, com uma vela acesa. A única coisa que queremos é fazê-lo constantemente, todos os dias, até que se torne um hábito, uma segunda natureza.

Este é o mínimo e ninguém pode ter a desculpa de não fazê-lo. Eu acho que isso nos dá uma plataforma. A partir disso, depois de três ou quatro meses que fizemos, podemos adicionar uma leitura da Bíblia. Atualmente existem muitos livros que trazem leituras todos os dias, mensalmente. Então nós adicionamos outras coisas: pedidos, ações de graças, louvores, etc. O objetivo é que cada casal tenha um rito comum de oração, uma pequena liturgia. Há casais que têm e é possível. E quando você tem isso, você verá que é uma bela experiência, um momento de renovação.

Temos que nutrir o espírito e é disso que se trata. Acreditamos que, se colocarmos esse suporte, teremos ganho muito. Neste contexto a comunidade de membros tem que ser para nós lideres no caminho. Se todos os casais que compõem a comunidade fazem isso, com autoridade podemos dizer que é possível.

II MOMENTO SEMANAL: RE-ENCANTAR (REAVIVAR OU RECUPERAR)
Acreditamos que o outro pilar para um casal crescer é reavivar ou re-encantar o amor. Coletando experiências, vemos que é necessário nos deixar um tempo, uma vez por semana, no qual podemos nos dedicar o um ao outro.

Antes falávamos só sobre o diálogo semanal. Agora queremos dizer, reacender ou re-encantar o amor. Muitas vezes acreditamos que este momento era só para sentar apenas para conversar . O mais importante é que sabemos que este é um momento que damos uns aos outros e, de acordo com isso, temos que ver o que caminho aprveitamos: se precisamos conversar, falamos tranquilamente; Se estivermos muito cansados, vamos inventar uma forma de expansão: vamos sair, passear, etc. O importante é que deixamos um tempo para nós, é um tempo fixo para retomar essas mil coisas que fizemos quando namorados. É um tempo que cada um de nós está aguardando com ansiedade  a semana toda.

Hoje, com a vida que levamos, muitas vezes por causa da urgência do trabalho, por causa da dedicação que damos aos nossos filhos, estamos sempre adiando essa reunião entre nós como casal. Portanto, acreditamos que é importante definir um horário semanal. O que nunca corrigimos e nunca avaliamos, é absorvido pela vida.

É por isso que pensamos que o sistema é deixar um dia fixo semanal, com um tempo específico em que nos dedicamos um ao outro. Podemos sair como namorados, nos distrair, nos divertir juntos ... Durante o ano, uma ou duas vezes, podemos sair por mais tempo, por um fim de semana, como casal. Também nos ajuda a praticar hobbies ou esportes em comum. O importante é ter esse tempo.

Para que não aconteça também, de ser sempre a mesma pessoa que convida, que se lembram, nós fazemos alternadamente: uma semana convida a esposa, a outra faz o marido, de modo que ao planejar este encontro, estamos pensando o que é o que o outro gosta e é planejado de acordo com isso.

Isso é fundamental para a vida do casal, para a vida familiar. Lembre-se de que o nosso primeiro dever é amar uns aos outros, manter vivo o amor entre nós. Só assim poderemos ser pais que amam e servem aos filhos.





III. MOMENTO MENSAL: REVISÃO
Antes, devemos dizer que os dois momentos anteriores, o diário para rezar e o semanal para re-encantar o amor, são relativamente fáceis de fazer e é possível tê-los.

O ritmo da vida atual nos absorve, se não estivermos vigilantes, alertas. Se propusemos os dois momentos anteriores e temos um problema que nos leva a interromper o ritmo que estabelecemos: ou porque uma criança adoeceu, ou porque tivemos um mau negócio, porque tivemos que fazer uma viagem, etc. Esses costumes são interrompidos e um, dois ou mais meses podem passar sem essas pausas. É por isso que parar uma vez por mês é conveniente.

Revimos o que Deus nos disse naquele mês, que graças vivemos, que dons Deus nos deu, que coisas não estavam certas. Revemos a vida à luz da fé prática na Divina Providência.

Se temos algo como um meio central de crescimento, de nossa espiritualidade de Schoenstatt, é a fé prática na Divina Providência. Mas temos que aplicá-lo. E isso não pode ser aplicado se não paramos para saber o que Deus está nos dizendo na vida.

A revisão mensal da vida é realizada por todos os institutos e uniões em Schoenstatt. Sem ser obrigatório como é o horário espiritual, isto é absolutamente coerente com nós, especialmente para a comunidade de membros, eles podem assumir esta revisão de forma livre. Isto é necessário para o nosso crescimento.

Como esta revisão é realizada na prática?
Uma vez por mês, pode ser o primeiro ou último sábado ou domingo do mês, quando vemos que é mais possível, conversamos duas horas. Se for três ou quatro horas, é melhor. Mas vamos começar com duas horas, o que todo mundo tem. O importante é que decidimos encontrar essas horas. Sabemos que o tempo que temos tudo ocupado e, se queremos introduzir algo novo, temos que decidir desistir de outras coisas. Não podemos esperar que momentos livres aconteçam sozinhos, para aparecer, porque isso não acontece.

Se considerarmos importante, temos que definir o dia, a hora e o lugar em forma real. Se possível no Santuário, em algum lugar quieto. Muitas vezes temos convites para um casamento ou outra celebração e ficamos até duas ou três da manhã.

Então, por que um dia não corrigimos essa revisão às 10 horas da noite e ficamos apenas até as doze horas para fazer essa revisão.

O que é feito nesta revisão?
É uma prática muito simples. Primeiro fazemos uma pequena oração e cada um dos cônjuges, separadamente, escreve as coisas que foram as mais importantes para ele, as coisas mais impressionantes. E, nesse contexto, que coisas positivas e negativas descobri: que dons de Deus descobri, que coisas não estavam corretas, que problemas eu tinha, que conflitos havia.
Depois de um quarto de hora, os cônjuges se reúnem e contam um ao outro essas coisas. E eles comentam. Assim, juntos, eles desvendam o ato de Deus, o que ele lhes deu, o que ele lhes disse através daqueles eventos que enumeraram.

Nesse contexto, acho que, como casal, eles precisam se tornar diretores espirituais mútuos. E esta revisão tem que se tornar uma direção espiritual mútua. O método proposto por Schoenstatt é a auto-formação. Há casais que estão sempre esperando para ter um diretor espiritual e muitas vezes, esperando por este diretor espiritual, não há vida espiritual coerente. Cada um de nós tem que forjar sua vida espiritual com os meios que Schoenstatt provê para nossa auto-formação.

A ajuda mais útil da orientação espiritual por parte de outra pessoa deve ser nosso cônjuge. Ela/ele é a pessoa que mais me conhece, quem mais me ama, quem sabe para onde vamos. E como um casal eles têm a graça de Deus, a graça do sacramento, para fazer um caminho de santidade juntos. Temos que aplicar esses agradecimentos à vida real. Depois de ter trocado, oramos juntos dando graças ao Senhor e pedindo perdão.  Mas também nesta revisão queremos olhar para diante.  O que nos aguarda no mês que começa?  Junto com revisar temos que prepararmos para o futuro.

Então, uma oração é feita ao Espírito Santo para nos esclarecer sobre o próximo mês. Eles são separados novamente e cada um por sua conta escreve o que gostaria para o próximo mês, levando em conta as atividades importantes que estão na pasta. Um projeto é determinado para o mês seguinte, para o que eles querem se esforçar, o propósito específico, etc. Então eles se reúnem para trocar o que querem contar. A ideia é ajudá-los a crescer juntos em santidade.

Acreditamos que, se conseguirmos ter esse ritmo diário, semanal e mensal, teremos alcançado como casal um caminho básico de santidade. E podemos oferecer à igreja coisas concretas.

IV. MOMENTO ANUAL: RENOVAR OU RECAPITULAR
Assim como qualquer negócio ou atividade tem um objetivo de longo prazo, nós, como casal, como família, devemos ter um objetivo de longo prazo. Nós mesmos, como um ramo de famílias, estabelecemos um ideal que nos acompanha: Santuário Vivo de Schoenstatt, um Novo Nazaré, Tabor para o Mundo.

Devemos também saber o que Deus nos pede para conquistar durante o ano, que acento queremos dar à nossa vida durante o ano, que metas de crescimento propomos para o ano.

Achamos que isso faz parte da renovação integral que fazemos durante as férias. Nós tiramos férias porque queremos nos renovar fisicamente e espiritualmente, e é também a hora de olhar para o ano e ver o que gostaríamos de alcançar. E delineie, determine um plano anual como casal  ou como família.

Além disso, se não fizermos férias, podemos tirar um fim de semana no começo do ano. O importante é que temos uma meta de longo prazo que ilumina toda a nossa vida durante o ano e que, ano após ano, também a avaliamos.





CONCLUSÃO

Quando nos criou, Deus concebeu-nos na sua mente, um para outro, desde toda a eternidade.  Intuímos esta verdade quando nos conhecemos e fomos descobrindo um ao outro, progressivamente,  durante o namoro e o noivado.

Ao selar a Aliança Matrimonial, assumimos consciente e solenemente o ato que nos une para sempre.  Deus revelou-nos os seus desígnios na nossa história de vida, nos acontecimentos que marcaram o nosso desenvolvimento.  Esta mesma história permitiu que fossem despertando e surgindo em nós as potencialidades que nos animam como pessoas e como casais.

Schoenstatt nos convida a aprofundar este processo de crescimento pessoal e conjugal.  E assim alcançar na meta do ideal, da santidade familiar em liberdade e confiança e sobretudo em um ambiente de amor respeitoso e dignificante. Só temos que dar nosso Sim uma vez mais, um ao outro e a Deus, Nosso Pai


P. Marcelo Aravena
Assessor Schoenstatt
Novembro 2018