4 de dez. de 2018

Caminhos Básicos do Crescimento Matrimonial
“Os 4R"





INTRODUÇÃO

Os ritos são necessários
Os ritos tem sido aplicado pela Igreja durante séculos nas múltiplas comunidades religiosas que surgiram ao longo da história. Cada comunidade, beneditinos, franciscanos, carmelitas, jesuítas, etc., formulou de maneira original o espírito e os ideais do Evangelho e gerou formas e ritos que o expressam e cultivam. Este processo continua até hoje nas novas comunidades e movimentos que nasceram especialmente no início do século XX até os dias de hoje.

Se alguém entrar em uma das comunidades tradicionais ou novas, sempre encontrará com ideais formulados, com um "carisma", que lhes dá uma personalidade e um rosto únicos. Essa espiritualidade ao mesmo tempo tem sido expressa em formas de vida, em rituais e costumes próprios e possibilita e concretiza a experiência do ideal no aqui e agora histórico.

Como movimento, queremos dar à Igreja um caminho de santidade matrimonial. O dom de Schoenstatt à Igreja é a pedagogia de uma nova espiritualidade. Para nós, como casais, é a nova espiritualidade matrimonial e familiar que Schoenstatt elaborou.

Nós não apenas oferecemos à Igreja um caminho em geral, mas um caminho concreto, com modos de vida. Em qualquer comunidade religiosa, encontramos um caminho concreto, com formas de vida. Muitas vezes essas comunidades não se distinguem tanto no espírito, mas nos modos de realizar o ideal de santidade. 

As formas de um beneditino são diferentes das de um franciscano ou do Opus Dei. Em Schoenstatt também as temos.
Coletando experiência, chegamos a certas formas que formulamos como caminhos básicos do crescimento matrimonial.

Quais são os meios básicos mínimos ou ritos comprovados já na vida, não inventados, para que um casal possa crescer em sua santidade matrimonial segundo Schoenstatt?

+ UM MOMENTO DIARIO       I R:    REZAR
+ UM MOMENTO SEMANAL  II R:   RE-ENCANTAR
+ UM MOMENTO MENSAL.   III R:  REVISAR
+ UM MOMENTO ANUAL.      IV R: RENOVAR 



Espírito e Forma
Mas antes de entrar nos detalhes desses 4 Rs, gostaria de me aprofundar no valor dos ritos ou formas que expressam um ideal ou carisma. É sobre a relação entre espírito e forma, algo essencial para entender bem a nossa espiritualidade de Schoenstatt.

O que é um rito?
É um hábito, é um modo de vida que expressa e garante um valor. Vamos supor que um costume normal em uma família é se reunir para o almoço no domingo. Pode ser que durante a semana eles não se encontrem com muita frequência, mas no Domingo eles se encontram na hora do almoço. Isso é um ritual. Acho que todos nós já tivemos a experiência de quão valiosos são esses ritos e, quando eles não são cultivados, algo tão importante quanto o espírito de família é perdido.

Um ritual é um costume que expressa e garante um espírito. Um rito é dado, por exemplo, quando um casal tem o costume de deixar um ou dois fins de semana durante o ano para estar entre eles, para se comunicar mais profundamente, para reviver a alma do seu amor de esposos.

Se não temos o hábito de regar regularmente as plantas do nosso jardim ou as que temos na sala do nosso departamento, as plantas ficam moles e acabam morrendo. Quando um relacionamento começa, logo os namorados estão criando costumes ou rituais que expressam seu amor e o fazem crescer. Se esses ritos são negligenciados, então o relacionamento começa a se deteriorar.

Rito com espírito e não formalismo
Os ritos são necessários, mas devem ser claramente distinguidos para diferenciar ritos autênticos de um ritualismo ou formalismo. Quando uma forma ou rito não expressa o espírito ou o valor que o gerou, o ritual se torna uma forma vazia, onde gestos e costumes não tem sentido e onde as formas contradizem o espírito que deve expressar.

Um rito cheio de significado e valor, renova e fortalece cada vez que o praticamos. Se temos o rito ou o hábito de rezar o rosário ou mesmo jogar cartas com nossos amigos em um determinado dia e em determinado horário, isso fortalece a amizade. Se pouco a pouco um ou outro deixa de participar deste rito, a amizade que existiu será enfraquecida e irá morrendo. A acentuação de ritos sem espírito, levando a um formalismo estéril, freqüentemente também degenera em hipocrisia.

Por outro lado, uma forma pode expressar um valor positivo, mas também pode expressar um espírito negativo. Por exemplo, o hábito, hoje muito comum, de atender o celular ou ver as mensagens na hora do almoço, quando sentadas à mesa ou com outras pessoas. Nesse caso, esse rito é inspirado por um espírito individualista, que gera isolamento pessoal do que temos conosco.

É muito importante, portanto, que cultivemos um mundo de valores e que eles capturem formas que os expressem e encorajem. Este "cultivo do espírito", dada a tendência negativa que nós arrastamos por causa do pecado original - e de nossos próprios pecados ou mediocridades - é muito importante. É necessário, portanto, cultivar o mundo dos valores que guiam nossas vidas, para que possam moldar formas que os expressem, estimulem e protejam.

Decisão e compromisso são obrigatórios
Os quatro Rs que vamos descrever agora com mais detalhes, deram muitos frutos ao longo dos anos. Eles são praticados no mundo de Schoenstatt e em muitos outros lugares onde a riqueza da família é cultivada. Vamos refletir agora em cada um desses 4Rs. Sem esquecer que, para que estes resultem, os cônjuges serão convidados a tomar sua decisão e compromisso. 

O casal e a família são a empresa mais importante que temos. Se os casais têm ritos, no sentido mais profundo e mais rico da palavra, isto é, um espírito seguro nos costumes, eles não serão arrastados pela corrente e não serão expostos ao luto e, às vezes, à ruptura. Hoje é necessário ter especial cuidado no cultivo da vida conjugal, cada casal corre o risco de se separar hoje: vemos e ouvimos todos os dias. É por isso que o chamado é nos levarmos a sério a nós mesmos e nos esforçarmos como convém às pessoas que desejam alcançar algo grandioso em suas vidas. Nada é de graça; tudo o que vale la pena custa esforço e renuncia. O objetivo é sermos felizes juntos até que a morte nos separe.






I. MOMENTO DIÁRIO: REZAR
Pertence a todo casal cristão orar juntos uma vez por dia ... orar como um casal. É diferente orar com as crianças. Não é sobre uma coisa para a outra. O sacramento do matrimônio constitui uma Igreja doméstica, na qual os ministros são os cônjuges e a coisa apropriada da igreja é orar. De tal modo que não seria coerente que um casal deixasse de elaborar um estilo de oração em comum.

A maioria pensa que cada um reza de maneira diferente, que o outro está cansado, que é tarde demais para rezar, que não há tempo, etc. Estas razões podem ser válidas, mas para muitas coisas, os casais tiveram que se acostumar e criar um estilo comum, formas, costumes, etc. Desde que acordam de manhã até adormecerem. Eles vieram estabelecer um “modus vivendi” como casal. Nós também temos que chegar a um “modus orandi” como casal.

Talvez muitos já tenham tentado desenvolver este modus, mas o que nos falta é a consequência e para isso temos que começar com algo muito simples. Às vezes definimos metas muito altas e isso não funciona para nós. Por isso, propomos começar a rezar um Pai nosso, uma Ave Maria, a Pequena Consagração, que nos leva no máximo três minutos. Ninguém pode dizer que ele não tem esses três minutos para rezar, impossível. Tudo o que é pedido é fazê-lo de maneira apropriada, dedicada, não quando estamos deitados ou quase dormindo. Fazemos isso no Santuário Lar, em um canto especial, de pé, ajoelhados, com uma vela acesa. A única coisa que queremos é fazê-lo constantemente, todos os dias, até que se torne um hábito, uma segunda natureza.

Este é o mínimo e ninguém pode ter a desculpa de não fazê-lo. Eu acho que isso nos dá uma plataforma. A partir disso, depois de três ou quatro meses que fizemos, podemos adicionar uma leitura da Bíblia. Atualmente existem muitos livros que trazem leituras todos os dias, mensalmente. Então nós adicionamos outras coisas: pedidos, ações de graças, louvores, etc. O objetivo é que cada casal tenha um rito comum de oração, uma pequena liturgia. Há casais que têm e é possível. E quando você tem isso, você verá que é uma bela experiência, um momento de renovação.

Temos que nutrir o espírito e é disso que se trata. Acreditamos que, se colocarmos esse suporte, teremos ganho muito. Neste contexto a comunidade de membros tem que ser para nós lideres no caminho. Se todos os casais que compõem a comunidade fazem isso, com autoridade podemos dizer que é possível.

II MOMENTO SEMANAL: RE-ENCANTAR (REAVIVAR OU RECUPERAR)
Acreditamos que o outro pilar para um casal crescer é reavivar ou re-encantar o amor. Coletando experiências, vemos que é necessário nos deixar um tempo, uma vez por semana, no qual podemos nos dedicar o um ao outro.

Antes falávamos só sobre o diálogo semanal. Agora queremos dizer, reacender ou re-encantar o amor. Muitas vezes acreditamos que este momento era só para sentar apenas para conversar . O mais importante é que sabemos que este é um momento que damos uns aos outros e, de acordo com isso, temos que ver o que caminho aprveitamos: se precisamos conversar, falamos tranquilamente; Se estivermos muito cansados, vamos inventar uma forma de expansão: vamos sair, passear, etc. O importante é que deixamos um tempo para nós, é um tempo fixo para retomar essas mil coisas que fizemos quando namorados. É um tempo que cada um de nós está aguardando com ansiedade  a semana toda.

Hoje, com a vida que levamos, muitas vezes por causa da urgência do trabalho, por causa da dedicação que damos aos nossos filhos, estamos sempre adiando essa reunião entre nós como casal. Portanto, acreditamos que é importante definir um horário semanal. O que nunca corrigimos e nunca avaliamos, é absorvido pela vida.

É por isso que pensamos que o sistema é deixar um dia fixo semanal, com um tempo específico em que nos dedicamos um ao outro. Podemos sair como namorados, nos distrair, nos divertir juntos ... Durante o ano, uma ou duas vezes, podemos sair por mais tempo, por um fim de semana, como casal. Também nos ajuda a praticar hobbies ou esportes em comum. O importante é ter esse tempo.

Para que não aconteça também, de ser sempre a mesma pessoa que convida, que se lembram, nós fazemos alternadamente: uma semana convida a esposa, a outra faz o marido, de modo que ao planejar este encontro, estamos pensando o que é o que o outro gosta e é planejado de acordo com isso.

Isso é fundamental para a vida do casal, para a vida familiar. Lembre-se de que o nosso primeiro dever é amar uns aos outros, manter vivo o amor entre nós. Só assim poderemos ser pais que amam e servem aos filhos.





III. MOMENTO MENSAL: REVISÃO
Antes, devemos dizer que os dois momentos anteriores, o diário para rezar e o semanal para re-encantar o amor, são relativamente fáceis de fazer e é possível tê-los.

O ritmo da vida atual nos absorve, se não estivermos vigilantes, alertas. Se propusemos os dois momentos anteriores e temos um problema que nos leva a interromper o ritmo que estabelecemos: ou porque uma criança adoeceu, ou porque tivemos um mau negócio, porque tivemos que fazer uma viagem, etc. Esses costumes são interrompidos e um, dois ou mais meses podem passar sem essas pausas. É por isso que parar uma vez por mês é conveniente.

Revimos o que Deus nos disse naquele mês, que graças vivemos, que dons Deus nos deu, que coisas não estavam certas. Revemos a vida à luz da fé prática na Divina Providência.

Se temos algo como um meio central de crescimento, de nossa espiritualidade de Schoenstatt, é a fé prática na Divina Providência. Mas temos que aplicá-lo. E isso não pode ser aplicado se não paramos para saber o que Deus está nos dizendo na vida.

A revisão mensal da vida é realizada por todos os institutos e uniões em Schoenstatt. Sem ser obrigatório como é o horário espiritual, isto é absolutamente coerente com nós, especialmente para a comunidade de membros, eles podem assumir esta revisão de forma livre. Isto é necessário para o nosso crescimento.

Como esta revisão é realizada na prática?
Uma vez por mês, pode ser o primeiro ou último sábado ou domingo do mês, quando vemos que é mais possível, conversamos duas horas. Se for três ou quatro horas, é melhor. Mas vamos começar com duas horas, o que todo mundo tem. O importante é que decidimos encontrar essas horas. Sabemos que o tempo que temos tudo ocupado e, se queremos introduzir algo novo, temos que decidir desistir de outras coisas. Não podemos esperar que momentos livres aconteçam sozinhos, para aparecer, porque isso não acontece.

Se considerarmos importante, temos que definir o dia, a hora e o lugar em forma real. Se possível no Santuário, em algum lugar quieto. Muitas vezes temos convites para um casamento ou outra celebração e ficamos até duas ou três da manhã.

Então, por que um dia não corrigimos essa revisão às 10 horas da noite e ficamos apenas até as doze horas para fazer essa revisão.

O que é feito nesta revisão?
É uma prática muito simples. Primeiro fazemos uma pequena oração e cada um dos cônjuges, separadamente, escreve as coisas que foram as mais importantes para ele, as coisas mais impressionantes. E, nesse contexto, que coisas positivas e negativas descobri: que dons de Deus descobri, que coisas não estavam corretas, que problemas eu tinha, que conflitos havia.
Depois de um quarto de hora, os cônjuges se reúnem e contam um ao outro essas coisas. E eles comentam. Assim, juntos, eles desvendam o ato de Deus, o que ele lhes deu, o que ele lhes disse através daqueles eventos que enumeraram.

Nesse contexto, acho que, como casal, eles precisam se tornar diretores espirituais mútuos. E esta revisão tem que se tornar uma direção espiritual mútua. O método proposto por Schoenstatt é a auto-formação. Há casais que estão sempre esperando para ter um diretor espiritual e muitas vezes, esperando por este diretor espiritual, não há vida espiritual coerente. Cada um de nós tem que forjar sua vida espiritual com os meios que Schoenstatt provê para nossa auto-formação.

A ajuda mais útil da orientação espiritual por parte de outra pessoa deve ser nosso cônjuge. Ela/ele é a pessoa que mais me conhece, quem mais me ama, quem sabe para onde vamos. E como um casal eles têm a graça de Deus, a graça do sacramento, para fazer um caminho de santidade juntos. Temos que aplicar esses agradecimentos à vida real. Depois de ter trocado, oramos juntos dando graças ao Senhor e pedindo perdão.  Mas também nesta revisão queremos olhar para diante.  O que nos aguarda no mês que começa?  Junto com revisar temos que prepararmos para o futuro.

Então, uma oração é feita ao Espírito Santo para nos esclarecer sobre o próximo mês. Eles são separados novamente e cada um por sua conta escreve o que gostaria para o próximo mês, levando em conta as atividades importantes que estão na pasta. Um projeto é determinado para o mês seguinte, para o que eles querem se esforçar, o propósito específico, etc. Então eles se reúnem para trocar o que querem contar. A ideia é ajudá-los a crescer juntos em santidade.

Acreditamos que, se conseguirmos ter esse ritmo diário, semanal e mensal, teremos alcançado como casal um caminho básico de santidade. E podemos oferecer à igreja coisas concretas.

IV. MOMENTO ANUAL: RENOVAR OU RECAPITULAR
Assim como qualquer negócio ou atividade tem um objetivo de longo prazo, nós, como casal, como família, devemos ter um objetivo de longo prazo. Nós mesmos, como um ramo de famílias, estabelecemos um ideal que nos acompanha: Santuário Vivo de Schoenstatt, um Novo Nazaré, Tabor para o Mundo.

Devemos também saber o que Deus nos pede para conquistar durante o ano, que acento queremos dar à nossa vida durante o ano, que metas de crescimento propomos para o ano.

Achamos que isso faz parte da renovação integral que fazemos durante as férias. Nós tiramos férias porque queremos nos renovar fisicamente e espiritualmente, e é também a hora de olhar para o ano e ver o que gostaríamos de alcançar. E delineie, determine um plano anual como casal  ou como família.

Além disso, se não fizermos férias, podemos tirar um fim de semana no começo do ano. O importante é que temos uma meta de longo prazo que ilumina toda a nossa vida durante o ano e que, ano após ano, também a avaliamos.





CONCLUSÃO

Quando nos criou, Deus concebeu-nos na sua mente, um para outro, desde toda a eternidade.  Intuímos esta verdade quando nos conhecemos e fomos descobrindo um ao outro, progressivamente,  durante o namoro e o noivado.

Ao selar a Aliança Matrimonial, assumimos consciente e solenemente o ato que nos une para sempre.  Deus revelou-nos os seus desígnios na nossa história de vida, nos acontecimentos que marcaram o nosso desenvolvimento.  Esta mesma história permitiu que fossem despertando e surgindo em nós as potencialidades que nos animam como pessoas e como casais.

Schoenstatt nos convida a aprofundar este processo de crescimento pessoal e conjugal.  E assim alcançar na meta do ideal, da santidade familiar em liberdade e confiança e sobretudo em um ambiente de amor respeitoso e dignificante. Só temos que dar nosso Sim uma vez mais, um ao outro e a Deus, Nosso Pai


P. Marcelo Aravena
Assessor Schoenstatt
Novembro 2018

25 de out. de 2018

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 5 - Visita de Maria

Visita de Maria 

Toda nossa vida, quando é autenticamente cristã, está orientada para o amor. Só o amor torna grande e fecunda nossa existência e nos garante a salvação eterna.
E sabemos que esse amor cristão tem duas dimensões. A dimensão horizontal: amar aos homens, nossos irmãos. E a dimensão vertical: amar a Deus, nosso Senhor.
É fácil falar de amor e de caridade, mas é difícil viver-los, porque amar significa servir, e servir exige renunciar a si mesmo. Por isso, o Senhor nos deu como imagem ideal a Santíssima Virgem. Ela é a grande serva de Deus e, ao mesmo tempo, dos homens.
Na hora da Anunciação, Ela se proclama escrava do Senhor. Entrega-lhe toda sua vida, para cumprir a tarefa que Deus lhe encomenda através do anjo. Ela muda no ato todos seus planos e projetos que tinha, se esquece completamente de seus próprios assuntos.

                                                                 Blog.cançaonova.com

O mesmo acontece com Isabel. Maria fica sabendo que sua prima vai ter um filho e parte logo, apesar do longo caminho. E permanece três meses com ela, servindo-a até o nascimento de João Batista. Não se imagina superior em nenhum momento. E não busca pretextos por estar grávida e não poder arriscar numa viagem tão longa. Faz tudo isto, porque sabe que no Reino de Deus os primeiros são os que sabem converter-se em servidores de todos.
Também nossa própria vida cristã deve formar-se e desenvolver-se nestas mesmas duas dimensões: o compromisso com os irmãos e o serviço a Deus. E não se pode separar uma dimensão da outra. Por isso, quanto mais queremos nos comunicar com os homens, tanto mais devemos estar em comunhão com Deus. E quanto mais queremos nos aproximar de Deus, tanto mais devemos estar próximo dos homens.
                                                   franciscanos.org.br

O que mais nos diz o Evangelho? Conta-nos alguns acontecimentos milagrosos no encontro das duas mulheres: a criança salta de alegria no ventre de sua mãe; Isabel se enche do Espírito Santo, reconhece o Senhor presente e começa a profetizar. 

E nos perguntamos: é a Santíssima Virgem quem realiza esses milagres? Isto pode ser explicado apenas pela íntima e profunda união entre Maria e Jesus. Essa união começa com a Anunciação e dura por toda sua vida e além dela. E pela primeira vez se manifesta no encontro de Maria com Isabel.

Maria nunca atua sozinha, mas sempre numa união perfeita entre Mãe e Filho. Onde está Maria, ali está também Jesus. É o mistério da infinita fecundidade de sua vida de mãe.

E se nós queremos ser como Ela, então deve ser também o mistério de nossa vida. Em que sentido? Unimos-nos, nos vinculamos com Maria, nossa Mãe e Rainha. E então, o que Ela faz? Ela nos vincula, com todas as raízes de nosso ser, com seu filho Jesus Cristo.

www.a12.com/jovensdemaria/artigos
Porque Maria é a terra de encontro com Cristo, nos conduz até Ele, nos guia, nos cuida e nos acompanha em nosso caminhar rumo a Ele.


Mas, Maria não apenas nos conduz para Cristo, mas traz, primeiramente, a Jesus ao mundo e aos homens. É sua grande tarefa de Mãe de Deus.

E em sua visita a casa de Isabel realiza, por primeira vez, esta sua grande missão: leva a ela seu Filho. E o Senhor do mundo, encarnado em seu corpo maternal, manifesta sua presença por meio daqueles milagres.

Maria o fez há mais de 2000 anos. Mas o faz também hoje: traz Cristo a todos nós.


Perguntas para a reflexão

1. Levo Cristo aos outros? 
2. Como sirvo aos outros?
3. Sou um elemento de união?

Refelxões Pe. Nicolás S.

24 de out. de 2018

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 4 - Sempre mãe

Sempre mãe 

Mãe de família. Vocês são mães, a imagem e semelhança de Deus. E como tais, têm uma grande tarefa, uma missão difícil, em seus próprios lares. Qual é a tarefa de uma mãe em sua família? Poderíamos agora falar longa e extensamente sobre muitas tarefas maternais. Tocarei apenas um aspecto, mas um aspecto transcendental: sua tarefa religiosa no lar. Trata-se de uma tríplice tarefa religiosa: a auto-educação religiosa da própria mãe, a educação religiosa dos filhos, a influência religiosa sobre o marido.

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1.A auto-educação religiosa da mãe. Hão amadurecido pela vida e na vida e, por isso, têm a sensibilidade mais marcada para uma religiosidade sã, para o domínio da vida religiosa. Como é uma mãe santa? É uma pessoa que irradia um ambiente divino, no qual se palpa a presença de Deus e se experimentam as glórias de Maria. Essa é nossa aspiração como mães. De nós deve partir um aroma divino, uma atmosfera sobrenatural, que envolve a nós e a todo nosso lar.

Que posso fazer, para que isto se faça realidade? Devo lutar para que a Virgem tome forma em mim. Tenho que crescer e amadurecer, mais e mais, rumo à pequena Maria, reflexo e transparente da grande Maria. Hei de cultivar em mim o Santuário do coração, promover o vínculo filial e o diálogo pessoal com o Deus de minha alma. Assim poderei chegar a uma profunda religiosidade e irradiar essa riqueza interior aos que me rodeiam.



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2. A educação religiosa dos filhos. À luz divina, meu filho é um portador de Deus, um santuário de Deus. E minha tarefa principal como mãe é educá-lo no religioso, na fé, na vinculação com as pessoas do mundo sobrenatural. O importante é que os filhos estejam arraigados em Deus, que se sintam protegidos em seu coração de pai. Considero essa missão realmente como minha missão mais importante para com os filhos? 

Como todos nós sabemos a educação e, especialmente, a educação religiosa é uma tarefa bem difícil. Porque o ambiente externo não ajuda em nada, sim entorpece e complica as melhores intenções dos pais.
Além disso, a educação da liberdade tampouco nos resulta fácil: dar-lhes liberdade, até o extremo; formá-los para que aprendam a decidir-se por si mesmos e que saibam decidir-se pelo bem.

Dar mais importância a livre decisão que a ordem e a disciplina; não optar pelo filho modelo, submisso, ordenado, mas débil de caráter, mas pelo criativo, independente e de caráter decidido...

Não só é uma tarefa difícil, é também uma grande dor para muitas de vocês. Não poucos de seus filhos maiores não praticam a vida religiosa e vocês se sentem, ao menos em parte, responsáveis por isso. Mas sempre lhes resta, como recursos, o exemplo pessoal, rezar por eles e entregá-los à Virgem para que Ela os cuide.


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3. A influência religiosa sobre o marido. Nossa tarefa fundamental é distanciá-lo do material e mundano e elevá-lo a um nível superior. Conhecemos a palavra de São Bernardo: “O homem não é elevado nem redimido a não ser pela mulher”, é dizer, pela Santíssima Virgem e pela pequena Maria. Vocês devem ser “redentoras” de seus maridos, benção e salvação para eles. Penso que todas são conscientes desta grande missão.

Este é outro motivo de dor para muitas de vocês, porque muitos esposos estão afastados de Deus, afastados da religião, afastados da Igreja. E, entretanto é e segue sendo uma de minhas grandes tarefas: tratar de conectar meu marido com Deus, ajudá-lhe para que seja o sacerdote do lar, lutar para que junto comigo possa salvar-se. E uma vez mais, a Virgem tem que nos apoiar e nos completar nisso. 

Na Aliança com a Virgem, sua tarefa é fazer o que nós, com nossas poucas forças, não podemos mudar. Trabalhemos, então, pela Virgem e seu Reino e deixemos em suas mãos o cuidado e a conversão de nossos maridos.
É digno de admiração como muitas de vocês devem conseguir completamente sozinhas: um exemplo de disponibilidade, entrega e fidelidade.

Perguntas para a reflexão

  1. Como cultivo minha vida espiritual?
  2. Posso criar um estilo de vida religioso no meu lar?
  3. Coloco nas mãos da Virgem aquilo que não posso conseguir?

Reflexões Pe. Nicolás S.


Serie sobre Nossa Mãe Rainha 3 - Maria modelo da Igreja servidora

Maria modelo da Igreja servidora

Maria nos quer recordar que o amor é o mais profundo e significativo do cristão e que o amor se expressa no serviço. Assim nos mostra, com seu exemplo, que a Igreja é e quer ser servidora dos homens. 

É fácil, falar de amor e de caridade, mas resulta muito difícil vivê-los, porque amar significa servir, e servir exige renunciar a si mesmo. Se não fosse assim, estaríamos no paraíso, já que todos os homens e todos os cristãos estão de acordo em cantar as belezas do amor.

Entretanto, continua havendo guerras, injustiças sociais, perseguições políticas no mundo. É porque amar custa, porque servir custa. É porque o pecado original nos inclina a buscar sempre o próprio interesse, a querer dominar e estar no centro.

Mas, que é servir? Jesus mesmo explica: servir é dar sua vida pelos outros, é entregar-se aos demais. Servir é dar-se a si mesmo, entregando ao outro nossa preocupação e nosso tempo, nosso amor.

Serve a mulher que passa até tarde a camisa que seu marido necessita; ou que passa a noite junto ao filho enfermo. Serve quem apaga a televisão durante a telenovela para receber o vizinho e escutar seus problemas. 
Serve quem renuncia a umas horas de descanso para ir a passear com seus filhos, para participar em uma reunião no trabalho.

Igreja servidora. A Igreja do Concílio se proclamou uma Igreja servidora do mundo e dos homens. Por isso escolheu como modelo dessa atitude a Maria.
Nós muitas vezes cremos que estamos servindo a Deus porque lhe rezamos uma oração ou cumprimos uma promessa. Olhemos a Maria: Ela lhe entrega toda sua vida, para cumprir a tarefa que Deus lhe encomenda pelo anjo. 

Maria sabe pelo anjo que seu filho será o Rei do universo e o de Isabel só o seu precursor. Mas é Ela a que corre aonde vivia sua prima. E não busca pretextos por estar grávida e não poder arriscar numa viagem tão longa. 

Quando o anjo lhe anuncia que Ela será Mãe de Deus, então Maria compreende que esta vocação lhe exige converter-se na primeira servidora de Deus e dos homens.

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Sacrifício e serviço. Para poder construir um mundo novo desejado por todos, é necessário muito espírito de sacrifício e de serviço. A Igreja e o país são coisa de todos e irá adiante só com a entrega generosa de todos. 

Mas esse serviço, que se nos pede, tem que ser dado no espírito de Cristo e de Maria. Deve ser um serviço que busque realmente minha entrega aos demais, e não meu poder pessoal, nem o domínio absoluto de minha empresa ou de meu partido. 
Não queremos substituir uma classe dominante por outra, que traz novas formas de opressão.
Sem este espírito, nem a Igreja nem o país serão renovados, mesmo que diminuam as diferenças sociais. Uma justiça que não vai acompanhada do amor serviçal, é inumana, é uma justiça sem alma. 

Peçamos a Ela, que nos ajuda a construir uma Igreja conforme sua imagem, uma Igreja servidora dos homens, que seja, realmente, alma de um país melhor.

Perguntas para a reflexão
1. Considero-me uma pessoa de serviço aos demais?
2. O que mais posso fazer pela Igreja?
3. Meu serviço está impregnado de Cristo e de Maria?

Reflexões Pe. Nicolás S.

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 2 - Maria e a evangelização




Maria e a evangelização

O que significa evangelização? É, simplesmente, a tarefa que Cristo encomendou a sua Igreja, quando disse a seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Evangelizar é proclamar a Boa Nova do infinito amor que Deus nos tem e que nos manifestou através de Jesus Cristo. E como realizamos essa proclamação? Não é somente predicar ou falar do Evangelho. Evangelizar é tudo o que a Igreja faz para que a luz do Evangelho vá penetrando a vida dos homens. 

                                                 Our Lady of Pentecost - Salt and Light Catholic Media Fundation


É um processo complexo e gradual que inclui também o testemunho de vida, a conversão do coração, a participação na comunidade e os sacramentos e, finalmente, que o homem evangelizado se torne, evangelizador e missionário (Evangelii nuntiandi). Esses são os passos da evangelização.

Agora: o que significa a Evangelização para nós? O que podemos fazer para nos converter em instrumentos e protagonistas? Creio que nosso contribuição: ser e construir família; como também o anuncio da paternidade de Deus e de nossa própria paternidade. Outra contribuição fundamental para a Evangelização é oferecer a Igreja e ao mundo de hoje: nossa imagem original da Santíssima Virgem.

A Virgem Maria
Nossos povos são profundamente marianos. Veem a Virgem como a grande Advogada de suas necessidades diante de Deus. Mas sua devoção requer ser iluminada e completada. O Padre Kentenich nos mostrou a verdadeira imagem de Maria: Ela não apenas é Intercessora diante de Deus, mas também o grande Modelo e a Mãe Educadora do povo de Deus. Isso se manifesta de forma original nas três graças do Santuário: 

A graça do acolhimento espiritual que nos arraiga não apenas em seu coração maternal, mas que nos conduz ao coração de Deus Pai e nele nos faz sentir filhos queridos. 

A graça da transformação interior que nos estimula a educar-nos e nos converter em homens novos segundo o modelo de Cristo e Maria.

E a graça da fecundidade apostólica mediante a qual ela nos educa a ser seus instrumentos e colaboradores de Deus.

                                                               Mary, Star of the new evangelization, Icon greeting card
                                                               printeryhouse.org

Maria é chamada “Estrela da evangelização”. Ela é nosso modelo e guia, a primeira evangelizadora da história. Quando o anjo lhe anunciou que Deus a havia escolhido para ser a Mãe de seu Filho, Ela não se fechou e partiu para perto de sua prima. Queria ajuda-la. Pero também queria dividir com Isabel a alegria do Evangelho. Queria comunicar-lhe a Boa Nova de que o Messias, esperado durante séculos, havia chegado. Seu canto de louvor, o Magnificat, constitui o primeiro anuncio do Evangelho de Jesus mediante a voz humana. Maria se converteu na primeira evangelizadora da Igreja.

É também a grande Estrela de evangelização do continente americano. Há séculos o Evangelho chegou a bordo da caravela de Colombo, a “Santa Maria” nome mais que simbólico. Desde aquele 12 de outubro, a Santíssima Virgem tem presidido a façanha evangelizadora de nosso continente. E no rosto mestiço da Virgem de Guadalupe, se realizou a fusão vital entre a fé vinda de ultramar e a sensibilidade própria dos povos indígenas. Quando Maria imprime sua imagem na manta do índio Juan Diego, Ela, Cristo e o Evangelho se tornam latino americanos.

Com o Padre Kentenich estamos convencidos que Deus está mudando seu método. Até nosso século, a Virgem permanecia em segundo plano. Mas em nossos dias, Deus a coloca mais e mais em primeiro plano. Esta é a mudança de tática de Deus: manifestamente quer que Maria passe, de modo extraordinário, ao primeiro plano de nosso campo visual. Com isso, Deus quer vincular o mundo inteiro a pessoa da Santíssima Virgem, quer que se consagre a Maria, que sele uma Aliança de amor com Ela.

Perguntas para a reflexão
1. Como podemos colaborar com a evangelização?
2. Que papel ocupa Maria em minha tarefa   apostólica?
3. Como tenho vivido as três graças do Santuário?

Reflexões P. Nicolás S.

Serie sobre Nossa Mãe Rainha 1 - Mãe da santa esperança

Mãe da santa esperança

O Concilio definiu a Igreja de hoje como um povo em marcha, um povo peregrino. E a esperança é a virtude dos caminhantes. A esperança resulta ser a virtude mais esquecida dos cristãos, mas a mais necessária para ir pelo caminho da vida. Ela mantem em pé o coração dos cristãos. E hoje necessitamos essa virtude em nossa pátria mais que nunca, porque muitos irmãos hão perdido a esperança num futuro melhor.
Enquanto há vida há esperança. Viver é ter desejos, viver é desejar algo e lutar para alcançá-lo. Sempre estamos esperando alguma coisa: uma melhoria no trabalho, ampliar a casa, uma TV maior, um par de sapatos novos. E quando uma destas esperanças é frustrada então nos sentimos amargados.


                                                              Nossa Senhora da Esperança, Pontmain, França


Entretanto, o curioso é que também, muitas vezes, nos sentimos vazios quando alcançamos o que tanto queríamos. Antes pensávamos que com isso já seríamos plenamente felizes, que no nos faltaria nada mais. Mas à medida que se cumpre uma esperança, nos surgem outros desejos e sentimos que ainda não estamos satisfeitos.
Sempre desejamos algo novo, porque o antigo, o que já possuímos não nos há satisfeito. A febre do novo tornou-se uma enfermidade para o homem de hoje.

Nossas esperanças podem ser apoiadas sobre areia ou sobre rocha. E sabemos que a única rocha verdadeira é JESUS CRISTO. As coisas deste mundo foram criadas para nos conduzir e aproximar a Ele. Por mais belas e nobres que sejam não são mais que marcos no caminho, não podem saciar toda nossa esperança. Não podemos apoiar a esperança de nossa vida sobre areia.
Temos que edificar sobre a rocha de Cristo. Quando apoiamos nossas esperanças sobre Ele, então temos entusiasmo e otimismo para enfrentar a vida.

Mas, como encontrar a Cristo em minha vida concreta? Como fazer que a luz de sua esperança penetre em mim e encha o coração?
Sabemos que a Estrela que nos conduz a Cristo é Maria, sua Mãe. 


A Igreja a chama Mãe da esperança. Desde a Anunciação, Ela apóia todos seus desejos em seu Filho. Ela sabe que Cristo é a rocha que não passa e que nunca desengana. Por isso, espera contra toda esperança, inclusive quando Ele morre, junto a Ela, na cruz. Para os apóstolos, a morte de Jesus resultou o tremendo fim de todas suas esperanças. Não assim para Maria: Ela continua seu caminho pela escuridão, mas com o coração cheio de esperança.

Aproximemo-nos, por isso, a Ela, essa terra de encontro e para esperança que é Maria. Com sua luz, Ela acende também em nós a esperança de Cristo e nos precede no caminho. Assim Ela nos ilumina para saber apoiar no Senhor todas nossas esperanças humanas. E como a vida de Maria, assim também a nossa se encherá de alegria, de um entusiasmo que não passa, de uma eterna juventude.

Queridos irmãos, peçamos, por isso, à Virgem que nos ajude a construir uma Igreja da esperança, mas apoiada sobre a rocha de Cristo. Somente sobre este fundamento poderemos edificar um futuro melhor para nossa pátria e nosso povo. Para isso, devemos começar apoiando nessa rocha nossas esperanças pessoais.

Porque uma Igreja da esperança só se constrói com homens e mulheres de esperança, alegres e confiadas, que hão tido um encontro vital com Cristo no coração de Maria. Que a Mãe da santa esperança nos ajude nesta missão!

Perguntas para a reflexão

1. As tragédias, as enfermidades… são meus temas favoritos de conversação?
2. Os outros vêem a mim como uma pessoa otimista, cheia de esperança?
3. Uso frases do tipo: “isso não vai resultar”, “não há nada que fazer”, “está tudo mal”…, etc.? 

Reflexões Pe. Nicolás S.